A importância da contabilidade e de bons controles internos

Recentemente participamos de cinco processos de compra e venda de empresas. Dos cinco, apenas um teve sucesso e a negociação chegou a bom termo com o controle da empresa passando às mãos dos compradores e com os vendedores se retirando com o justo valor do negócio nos bolsos. Os demais casos foram interrompidos sem sucesso, frustrando irremediavelmente as partes.

Vários foram os fatores do insucesso, mas em todos os casos estava presente um ambiente contábil e de informações gerenciais frágil, que geravam informações intempestivas e erradas. A despeito de que na maioria dos casos de insucesso a parte fiscal encontrava-se regular, sem riscos de surpresas, a fragilidade da contabilidade não deu aos potenciais compradores a segurança de que as projeções se cumpririam e o negócio e seu valor se justificavam.

Não por coincidência, no caso de sucesso, a empresa mantinha excelente ambiente contábil e de controles internos e seus riscos eventuais eram de conhecimento dos administradores, que mantinham processo de monitoramento e mitigação dos riscos.

Diferença sutil, sem dúvida, mas fundamental para a tranqüilidade de administradores (vendedores ou compradores).

Prestação de contas, boas informações e transparência

Há anos recomendamos a nossos clientes melhorias no ambiente contábil e de controles internos, que sem dúvida custam recursos tão caros aos administradores, mas que se pagam ao permitirem que esses mesmos administradores recebam informações tempestivas e de qualidade para o processo de tomada de decisões. Além disso, permitem que certos riscos sejam minimizados e que os recursos da empresa sejam aplicados no negócio e os ativos sejam salvaguardados e aplicados para os fins a que foram previstos.

Controles são fundamentais para que a contabilidade das empresas reflita adequadamente a situação patrimonial e financeira e o resultado das operações em cada período. O assunto é tão relevante, que após a quebra das empresas americanas nos anos 2000 e 2001, o Congresso Americano editou a lei Sarbanes-Oxley que deu valor fundamental à estrutura de controles internos das companhias abertas americanas e das estrangeiras com ações negociadas naquele país.

È fundamental saber que apesar de as empresas menores utilizarem um enfoque diferenciado de uma estrutura integrada de controles internos, os conceitos fundamentais de bons controles são os mesmos daqueles utilizados por empresas de maior porte.

Administradores de empresas menores tendem a manter um enfoque “mão na massa”, uma visão mais ampla das operações e a habilidade de manter um monitoramento contínuo através do relacionamento direto com o pessoal-chave, vendedores, clientes e fornecedores de recursos financeiros. Esse enfoque “mão na massa” nas empresas menores pode permitir controles menos formais, sem diminuir sua qualidade em certas áreas. Todavia, essas empresas possuem desafios próprios para implementar controles internos eficazes e para manter um bom sistema contábil e de informações.

Conclusão

Bons controles e demonstrações contábeis de boa qualidade são essenciais para a boa administração e, também, são indicadores da existência de uma boa administração.

Cada empresa tem seus próprios desafios que dependem de seu tamanho, da complexidade de suas operações e dos riscos de sua atividade. Tais desafios devem ser tratados com objetividade e senso de realidade, mas devem ter como produto final informação de boa qualidade e segurança.

Não existe desculpa razoável para negligenciar a qualidade das informações contábeis. Nos casos aqui relatados essa negligência foi fatal.

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