Conhecendo e administrando riscos

Qualquer atividade empresarial está sujeita a riscos que podem, eventualmente, comprometer a continuidade normal dos negócios. Em qualquer situação, riscos são incertezas e sua ocorrência depende das chances de que eles se materializem.

Riscos precisam ser conhecidos e avaliados para que possam ser administrados e, em alguns casos, aproveitados, pois certas oportunidades que se apresentam trazem consigo certos riscos e estes precisam ser conhecidos.

Da mesma forma que é preciso planejar os investimentos, avaliar as possibilidades de crescimento, conhecer as necessidades de mão de obra, de níveis de estoque e de recursos financeiros, também os riscos eventuais precisam ser conhecidos e antecipados.

O fato de não sabermos o que pode acontecer e de que os acontecimentos dependem de probabilidade e, ainda, de que os acontecimentos podem ser bons ou ruins é que torna importante conhecer e administrar os riscos e as incertezas a que a empresa está exposta.

Como conhecer e administrar os riscos?

O processo de monitoramento de riscos envolve não apenas conhecer o negócio e o ambiente em que ele atua, mas também envolve estar atento às incertezas e as chances delas ocorrerem.

A avaliação começa pela identificação do que pode dar errado, os custos envolvidos se aquilo que pode dar errado ocorrer, quais as chances de que determinado risco se materialize e o que se pode fazer para reduzir as chances de que algo dê errado.

Esse tipo de análise identifica onde a empresa é vulnerável, que ativos precisam ser protegidos, que decisões requerem mais julgamento e em que informações a administração precisa confiar.

Por outro lado, essa avaliação também identifica as oportunidades que podem ser mais bem exploradas pela empresa, levando-se em conta o apetite de risco que a administração possui.

Apetite para o risco

Parte do sucesso da empresa depende de apostas que a administração faz ao longo de seu processo de decisão. Ao conhecer os riscos existentes e as medidas mitigatórias para tais riscos, a administração ainda tem que decidir em que grau está disposta a correr riscos para atingir seus objetivos. Um exemplo simples de apetite ao risco é a decisão de se vender uma grande quantidade de mercadoria à prazo para um cliente desconhecido, ou com nível de crédito incompatível com o crédito concedido. Essa é uma decisão de julgamento pessoal que depende do apetite ao risco do administrador que aprova ou rejeita a venda.

Metodologia

Os riscos podem ser estratégicos, operacionais e financeiros. A aplicação do conceito de risco no contexto empresarial requer a definição de indicadores de desempenho (geração de caixa, valor de mercado, lucro, entre outros), associados a níveis de volatilidade. Essas possibilidades de ganho ou de perda, que podem ter causas de natureza externa ou interna, são oriundas do contexto em que cada organização opera.

O processo de identificação de riscos não é difícil, mas deve seguir uma metodologia que envolva sua identificação, a determinação das ações que ajudem a reduzir suas chances de ocorrência, o monitoramento desses riscos e um processo permanente de identificação de novos riscos.

A criação de um comitê de riscos, com reuniões mensais e composto por pessoal operacional e de apoio, completa o processo e dá aos administradores as informações e a segurança necessárias para o processo de tomada de decisões.

Riscos não são eliminados, mas conhecê-los nos dá a oportunidade de monitorá-los, ou, conforme o caso, introduzir mecanismos que reduzam suas chances de ocorrência.

Como disse Niall Ferguson, professor de Harvard, “não existe um futuro, no singular, mas apenas múltiplos futuros que nós tratamos de escolher”. Essa possibilidade de “escolher” o futuro que se quer, todavia, depende do grau de maturidade que sua empresa possui e isso envolve o processo instalado de administração de riscos.

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